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As fotografias que ficam para sempre

As fotografias que ficam para sempre

Há uma pergunta que me faço às vezes quando estou a fotografar uma cerimónia. Não é sobre a luz, nem sobre o ângulo. É uma pergunta mais simples: esta fotografia vai existir daqui a trinta anos?

Hoje em dia é fácil tirar fotografias. O telemóvel está sempre no bolso, a câmara está sempre pronta, e em qualquer momento de alegria ou de saudade alguém levanta o braço e regista o instante.

Tiramos centenas de fotografias por ano. Talvez milhares. E no entanto, quando pensas nas fotografias que mais significam para ti, as que te fazem parar quando as vês, são provavelmente as que foram tiradas muito antes de existirem smartphones.

São as fotografias granuladas dos teus avós. A da tua mãe em criança, com um vestido que ela própria já não se lembra de ter tido. A do teu pai no dia do casamento dos teus avós, ainda bebé ao colo de alguém que já não está cá. Essas fotografias existem porque alguém as imprimiu, as guardou, as colocou num álbum ou numa caixa de sapatos que sobreviveu às décadas.

O que estamos a guardar nós?

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A ilusão do armazenamento infinito

A resposta mais comum é: “está tudo na nuvem”. E é verdade. As fotos estão lá. Mas estão organizadas? Estão guardadas de uma forma que alguém vai conseguir aceder daqui a vinte anos? Existe algum serviço de armazenamento online que te garanta que as tuas fotografias vão estar acessíveis daqui a trinta anos, no mesmo sítio, sem que a empresa tenha mudado de política, fechado, ou decidido cobrar por isso?

A nuvem é prática. Mas a nuvem não é um legado.

É um disco rígido que não vês, que não tocas, e ao qual os teus netos provavelmente não vão conseguir aceder da mesma forma que tu acedes hoje.

Há outra coisa: mesmo que as fotografias estejam lá, a maior parte delas não diz nada. Uma selfie num jantar. Uma foto de comida. Um story que desapareceu ao fim de vinte e quatro horas. Tiramos muitas fotografias, mas tiramos poucas fotografias que importam. Fotografias com contexto, com história. Fotografias em que as pessoas são elas próprias, sem pose, sem filtro, sem saber muito bem que estão a ser fotografadas.

Essa é a diferença que muda tudo.

A sessão que ninguém pensa em pedir

Nos casamentos que fotografo, existe um momento que repito sempre que posso. É o momento em que, discretamente, me aproximo dos avós. Da avó que veio de longe para ver o neto casar. Do avô que sorri com os olhos fechados quando a neta passa pelo corredor com o vestido. Esses momentos existem num espaço de tempo muito pequeno, e se não houver alguém atento para os registar, desaparecem.

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A fotografia de família para as gerações futuras começa aqui. Começa num casamento, num batismo, numa festa de aniversário. Começa quando alguém decide que aquele momento merece ser tratado com atenção, e não apenas com a câmara do telemóvel levantada no ar em modo de registo rápido.

Há um casal que tenho acompanhado desde o casamento, há alguns anos.

Fotografei o casamento deles, depois o nascimento do primeiro filho, o do segundo, algumas festas de Natal em família, e uma sessão com os avós enquanto ainda era possível. Tenho um conjunto de fotografias deles que conta uma história. Uma história real, com tempo, com mudanças, com rostos que envelhecem e rostos que crescem. Quando olho para essas fotografias, percebo que o que faço não é só fotografar casamentos.

É começar um arquivo.

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O que fica quando as pessoas já não estão?

As fotografias que ficam para sempre

Existe uma geração de pessoas que cresceu a folhear álbuns de fotografias. Que conheceu bisavós já falecidos através de fotografias a preto e branco. Que sabe como a avó era quando tinha vinte anos porque há uma fotografia numa moldura na sala.

Os nossos filhos vão crescer a desbloquear ecrãs. Vão ver fotografias em feeds que mudam a cada segundo. Vão ter acesso a mais imagens em um dia do que os nossos avós viram em toda a vida. Mas quantas dessas imagens vão conseguir mostrar aos filhos deles e dizer: “este é o teu bisavô. Era assim que ele ria”?

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A fotografia de família para as gerações futuras não é nostalgia. É uma decisão consciente de documentar o que existe agora, sabendo que o tempo muda tudo. Os avós que hoje estão no casamento podem não estar na próxima grande celebração da família. As crianças que hoje correm pelo jardim vão estar adolescentes antes de dares conta. As pessoas que fazem parte da tua vida têm um tempo. E a câmara do telemóvel regista isso, claro. Mas há uma diferença entre registar e fotografar.

Uma conversa que vale a pena ter antes do casamento

As fotografias que ficam para sempre

Quando falo com casais antes do casamento, há uma coisa que costumo sugerir: pensem nas pessoas que querem ver nessas fotografias. Não apenas vocês dois. As pessoas à volta de vocês. Os avós, os pais, os amigos mais próximos. As pessoas que vão estar naquele dia e que fazem parte da história que estão a construir.

Um casamento é uma oportunidade única para reunir essas pessoas num mesmo sítio. E quando toda a família está junta, quando há alegria genuína no ar, quando os mais velhos e os mais novos se cruzam na mesma mesa, nesse momento há fotografias que merecem existir para além do Instagram.

Não tem de ser nada elaborado. Não é uma sessão de poses à beira de uma fonte. É simplesmente ter alguém atento, que conhece o ofício, que sabe quando se afastar e quando se aproximar, e que entende que uma fotografia de família para as gerações futuras vale muito mais do que qualquer fotografia bonita mas vazia de significado.

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A história que viste aqui começou com um casamento. Mas o que a tornou numa história foi a decisão de continuar a fotografar.

Se queres que a tua família tenha um arquivo como este — real, com tempo, com as pessoas que importam — é isso que faço nas sessões documentais de família. Não é sobre ter fotografias bonitas. É sobre ter fotografias que um dia vão contar quem eram as pessoas que amavas. Se faz sentido para ti, estou disponível para conversar em Sessões Fotográficas Documentais

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