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Porque é que os fotógrafos de casamento são tão caros

Antes de mais…

Tive a ideia de escrever este artigo há já alguns meses, quando comecei a pensar em criar um blog. Não pesquisei outros artigos que possam haver na blogosfera acerca desta matéria, por isso não sei se os há. Esta é apenas a minha opinião baseada na minha experiência como fotógrafo de casamentos ao longo dos últimos 6 anos!

Espero que este texto seja útil a casais à procura de fotógrafo de casamento, assim como fotógrafos que tenham alguma dificuldade em definir o valor que devem cobrar e eventualmente a curiosos, que não entendem porque é que alguns fotógrafos de casamento cobram tanto!

Em relação aos meus colegas fotógrafos, a meu ver é bom que existam tantos e com trabalhos tão variados. Não vejo mal em que alguns cobrem tão pouco e outros tanto. Há apenas uma crítica que faço de uma forma bastante aberta e clara: não há razão para a falta de profissionalismo! Prejudica o cliente, prejudica o fotógrafo e prejudica a profissão!
Ficam alguns exemplos: não critico aquele fotógrafo que cobra 200€ por fotografar um casamento e que entrega um trabalho que eu diria menos interessante, desde que o cliente goste! O que critico é o fotógrafo que aceita marcações para uma data e depois cancela porque consegue vender a mesma data por um valor mais alto, ou o fotógrafo que não sabe fazer um backup e que mais cedo ou mais tarde vai acabar por perder as fotografias de um casamento, ou mesmo aquele fotógrafo que telefona aos noivos na véspera do casamento a informar que afinal a reportagem vai ser mais cara e no dia do casamento está presente com um ar de aborrecimento. Este último aconteceu com um familiar meu!

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A transição do analógico para o digital e o impacto nos serviços de fotografia

Mesmo os casais mais novos que se estão a casar agora lembram-se certamente dos tempos da fotografia em filme. Era habitual as pessoas deslocarem-se a uma loja de fotografia à procura de fotógrafo para o seu casamento. Essas lojas, por outro lado, ofereciam uma panóplia de produtos e serviços e era comum que a maior parte da faturação viesse da revelação e impressão de fotografias.

Na primeira década deste século passámos de uma realidade de fotografia puramente analógica para uma maioritariamente digital. Esta revolução teve impactos profundos em todas as áreas da fotografia profissional, principalmente nas lojas de fotografia que num período de tempo curto viram as pessoas a imprimirem cada vez menos as suas fotografias. 

Como resultado muitas lojas tiveram que fechar, deixando de fornecer esse tipo de serviços. Embora já existissem (poucos) fotógrafos exclusivamente de casamentos, esta procura constante levou muitos fotógrafos a continuarem a oferecer os seus serviços nesta área apenas. Os casais começaram a fazer a pesquisa online, procurando não apenas na sua zona de residência mas também a nível regional e nacional. Os fotógrafos começaram então a ter mais concorrência, pelo que tiveram que se diferenciar pelo tipo de trabalho que apresentavam nos seus portfólios, muito ajudado pela facilidade de editar os ficheiros digitais. Esta edição foi ficando cada vez mais complexa, também ajudada pela crescente aposta dos fotógrafos em formação específica para fotografia social de casamento e edição. 

Em resumo no espaço de aproximadamente uma década passámos de uma realidade em que a fotografia era realizada em formato analógico (tipicamente como apenas mais um serviço prestado pelas lojas de fotografia) para profissionais dedicados exclusivamente a fotografia de casamento, com trabalhos diferenciados e um marketing eficaz para serem visíveis.

Para além disso nos últimos 10 anos a fotografia de casamento ganhou uma força imensa. Passou de um tipo de fotografia com pouco prestígio para um que agora está na moda, com muita presença nas redes sociais e imensos concursos a nível internacional.

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O caro e o barato são relativos, por isso vamos a números! 

Eu gosto de fazer contas! Não sou uma daquelas pessoas estranhas que tem a matemática como hobby. Sou antes daquelas outras pessoas estranhas que tem o Excel como hobby 🙂

Fui fotógrafo amador durante muitos anos. Comecei na era do filme e diverti-me muito a revelar fotografias na câmara escura. Com as redes sociais os meus amigos ficaram todos a saber dessa minha paixão até que um dia me começaram a convidar para fotografar batizados e casamentos. Experimentei e gostei, até que decidi deixar a engenharia e passar a ser fotógrafo profissional. No segundo em que decidi que iria ser fotógrafo profissional os meus custos aumentaram imediatamente! Por ordem de valores passei a ter: o ordenado, pagamento da segurança social, eventualmente um espaço para trabalhar, o material de fotografia e informática, marketing, formações e seguros.

É isto que distingue o amador do profissional: o profissional vive daquilo que faz, por isso todos os gastos têm que ser suportados pelo cliente. É transversal a todas as áreas de negócio. Por seu lado, quando um profissional dedica todo o seu tempo a uma determinada área, passa a ser melhor do que o amador que lhe dedica menos tempo.

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Fotografia de autor vs trabalho de equipas

A minha carreira na fotografia começou de forma a que eu fizesse no dia-a-dia algo que me dá prazer (caso contrário não teria deixado a engenharia).

Desenvolvi ao longo dos anos um estilo fotográfico com o qual me identifico e que começa com a minha relação com os clientes logo desde a primeira reunião e acaba com uma escolha das fotografias de forma a contar a história com base no que conheço dos noivos, assim como uma edição personalizada de cada fotografia. Chama-se a isto fotografia de autor, isto é, uma fotografia proveniente de um processo de auto-descoberta e aperfeiçoamento e que é “pessoal e intransmissível” – cada fotógrafo tem o seu.

Tentei em casos pontuais ter segundas equipas para fotografar os meus casamentos. Estou certo que os noivos gostaram do resultado final, mas tomei a decisão de que definitivamente não é para mim. Acaba por ser mais trabalho administrativo, tenho que dar a cara por eventuais problemas ou erros que surjam e no final, durante o processo de edição, tenho que adaptar as fotografias tiradas pela minha equipa para contar a história. Prefiro muito mais ser eu a fotografar, com plena consciência do resultado final que quero atingir e da história dos meus noivos que eu quero contar.

Não tenho nada contra os fotógrafos que optam por ter segundas equipas nem as lojas de fotografia que têm várias. Simplesmente não é o tipo de fotografia que quero fazer, porque tem muito a vertente comercial que me distancia dos noivos e perde o processo criativo que descrevi acima, logo o resultado final não é nem poderia ser o mesmo.

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O valor mínimo

Vou então fazer o cálculo do valor mínimo que se adequa à minha realidade de fotografia de autor, o que significa que sou sempre eu o fotógrafo principal dos meus casamentos. Isso quer dizer que existe um limite máximo de casamentos que posso fotografar por ano. Quantos?

Quase todos os casamentos se realizam aos sábados dos meses com mais procura, ou seja de Maio a Outubro. Em 6 meses há aproximadamente 24 sábados por isso potencialmente 24 casamentos. Há sempre um ao outro sábado que não é fechado, mas isso é compensado por casamentos nos outros dias da semana e meses com menos procura. Através de conversas com outros fotógrafos também tenho notado que o número ideal gira à volta dos 24 de casamentos, há quem prefira ter 20 e quem chegue aos 30. O consenso é que mais que 30 é demasiado stressante.

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Ordenado e risco

O ordenado constitui a maior fatia do bolo ao calcular o total dos gastos mensais. Será idealmente “tão alto quanto possível”, mas qual é um valor mínimo aceitável? Os especialistas em gestão dizem que os gastos mensais com habitação não devem superar ⅓ do ordenado líquido. Hoje em dia para um apartamento modesto nas periferias de Lisboa a renda situa-se entre os 500€ e os 900€. Com sorte podemos dividir esse valor com a nossa cara metade logo o ordenado mensal líquido deveria ser de entre 500/2*3=750€ e 1350€. Mas este é o ordenado recomendado para quem tem alguma estabilidade profissional, com um trabalho das 9h às 18h e com tempo para aproveitar os fins de semana, sem grandes preocupações com as flutuações de mercado e riscos inerentes a ter negócio próprio. Por exemplo, se um fotógrafo parte um braço deixará de ter sustento durante alguns meses (sim, já me aconteceu!). Ou se uma máquina cai ao rio (quase já me aconteceu) ou é roubada poderemos perder 3500€ (corpo) + 2000€ (lente) = 5500€.

É então necessário que o nosso ordenado compense o risco, para que tenhamos um fundo de maneio quando as coisas correrem menos bem (pensem COVID-19).

Também há a componente menos boa de ser estar “sempre a trabalhar”, vaticínio de quem almeja ter negócio próprio. Muitas horas extra, e a más horas! Perdidas muitas noites de sexta-feira com amigos e sábados em família. Por vezes perdem-se fins-de-semana inteiros a fotografar dias seguidos, perdem-se mais alguns dias a recuperar da tareia que faz doer todo o corpo! 

Considerando tudo isto, qual é o ordenado decente para quem quer fazer, ou faz, fotografia de casamento como carreira? 1000€? Não obrigado! Eu não iria aceitar menos de 1500€ e mesmo esse valor deixa um sabor amargo na boca (e uma sensação de leveza nos bolsos das calças).

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“É fazer a conta!” 

Como diria o agora secretário geral da ONU, na altura candidato a primeiro-ministro de Portugal, na sua famosa frase “é fazer a conta!“.

Não vou estar a descrever todas as despesas ao pormenor. Já justifiquei as maiores, que vou incluir com as outras na tabela abaixo. Discriminei as despesas mensais e anuais e no final divido o total pelo número de casamentos anual, para assim calcular o valor mínimo a cobrar por casamento.

Para ter alguma flexibilidade vou considerar três cenários, de fotógrafos com custos diferentes. Aqui fica a descrição de cada um:

  • Fotógrafo 1: trabalhador independente que trabalha em casa, contabilidade de regime simplificado; a quantidade de material que tem é o mínimo indispensável; vive longe de um grande centro urbano, logo a renda é mais baixa logo o ordenado também poderá ser; dedica-se exclusivamente à fotografia de casamentos.
  • Fotógrafo 2: trabalhador independente que trabalha num espaço de cowork ; tem várias lentes e duas máquinas para trabalhar, ou seja o material necessário e algum de backup; vive nas periferias de uma grande cidade ; dedica-se a 90% à fotografia de casamentos.
  • Fotógrafo 3: trabalhador com empresa constituída e um espaço de trabalho próprio, por exemplo um estúdio ; tem o material necessário para trabalhar em várias situações e backup desse material; tem mais gastos com informática; vive perto do centro de uma grande cidade; por ter um espaço de trabalho consegue ter outros trabalhadores e consegue fazer trabalho noutras áreas da fotografia, logo só uma parte da faturação vem dos casamentos.

Estes cenários servem apenas para dar uma ideia dos valores e não significam, por exemplo, que um fotógrafo que trabalhe em casa não tem mais material e empresa constituída.

Tabela de comparação entre 3 tipos de fotógrafo

Chegamos à conclusão que o valor mínimo a cobrar por cada casamento é de entre 800€ e 1050€, em média. De acordo com esta forma de fazer as contas, não tem lógica fazer desconto por um casamento ter menos horas – não sem aumentar o valor para um casamento que tenha mais horas, de forma a que o valor médio seja este.

Estes valores não incluem o IVA, tanto nos gastos (porque são dedutíveis) como no valor final apresentado. O valor mínimo a cobrar varia então entre 1000€ e 1300€ (valores arredondados).

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Lei da oferta e da procura

Os valores acima são no entanto apenas o ponto de partida para o valor mínimo a cobrar por casamento. Na realidade há no mercado cada vez mais profissionais com um trabalho diferenciado, fruto de anos de experiência com muita tentativa e erro, para desenvolver um estilo único (e vendável). Se houver poucos colegas com esse tipo de fotografia e muitos clientes que o queiram é apenas lógico que os valores comecem a subir. Um profissional que consiga vender rapidamente o seu trabalho irá subir os seus valores de forma a conseguir fechar o número ideal de casamentos a que se propôs. Este é um jogo de nervos, porque o mercado está em contínua mudança e a forma como apresentámos o nosso trabalho no ano passado poderá não ser a melhor para chegar aos clientes este ano. É preciso controlar muito bem o ritmo com que os casamentos são fechados para se poder corrigir os valores para cima ou para baixo.

Por outro lado há também a mais valia por trás de contratar um fotógrafo com mais experiência! Já abordei um pouco a importância de optar por um profissional, mas nem tudo se resume ao estilo fotógrafico, fazer backups, cumprir prazos e ter uma atitude não só legal mas também moralmente correcta. Uma das grandes vantagens não listadas é o aconselhamento! Vejo-me muitas vezes a ter conversas com os meus noivos acerca do dia do casamento e noto que eles têm muitas dúvidas e incertezas. Tenho todo o gosto em dar dicas e sugestões sobre o que podem fazer, acompanhado de fotografias de exemplo. Analiso sempre a hora e direcção do pôr-do-sol para vermos quando e como fazer a sessão do fim do dia, caso eles optem por ela. Faço também sempre a análise do dia hora a hora, de forma a compatibilizar as horas da cerimónia com a do início da refeição, o tempo que há no cocktail e o que fazer nesse período, como tudo se enquadra com o catering e sessão do final do dia. No total são várias horas dedicadas aos noivos com conselhos valiosos. Não sou modesto ao dizer que já ajudei muitos noivos a evitar dissabores e (graves) problemas no dia do casamento!

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O marketing é tudo

Vamos considerar dois cenários: um fotógrafo com trabalho muito diferenciado e apetecível que não investe em colocar o seu trabalho visível aos potenciais clientes (aka marketing). Um segundo fotógrafo com trabalho banal mas que tem uma estratégia de marketing muito boa e como tal chega a muitos noivos. É fácil de perceber que o segundo fotógrafo vai conseguir vender mais facilmente o seu trabalho, inclusivé a valores superiores, do que o primeiro. Isto quer dizer que a lei da oferta e da procura só se aplica quando suportada por um bom marketing.

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Percepção de valor

Vamos falar dos extremos: há clientes que não percebem porque é que um fotógrafo cobra mais do que o ordenado mínimo para pegar numa máquina (“tal como aquela que eles têm em casa”) e tirar umas fotografias aqui e ali no dia do casamento.

No lado oposto do espectro há clientes que seguem determinado fotógrafo há anos e que chegam a definir a data do casamento em função da sua disponibilidade.

No meio há aqueles clientes que dão valor à fotografia de um modo geral e à visão particular do fotógrafo de casamento de um modo particular. 

Posso dizer que tenho tido muitos clientes ao longo dos anos que vim a descobrir terem a fotografia como hobby, ou seja dão valor à fotografia como forma de expressão pessoal e artística. Tenho ouvido vários colegas queixarem-se que as redes sociais e a massificação dos telemóveis com câmara fotográfica fez com que a fotografia passasse a ser menos “mágica” e que as pessoas passaram a dar menos crédito aos fotógrafos. Eu sinto exactamente o oposto: que agora as pessoas dão mais valor à fotografia precisamente porque também podem tirar e publicar. Percebem melhor que nunca a dificuldade de se conseguir fazer uma fotografia boa e percebem a importância de se conseguir fazer um trabalho consistentemente bom.

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Há um fotógrafo ideal para cada casal

O estilo

Há vários vídeos interessantes no youtube em que colocam vários fotógrafos a fotografarem a mesma cena, com resultados finais completamente diferentes. Todos nós acabamos por gostar mais do estilo de um ou outro fotógrafo. Não apenas da qualidade subjectiva de cada fotografia mas também do “mood” e “feeling” das fotografias. Também há tipos de fotografia, na qual a de casamento se enquadra, em que há outras características importantes tais como o story-telling ou seja a capacidade de o fotógrafo conseguir fazer um encadeamento das fotografias de forma a mostrar aquilo que é importante e que contribui para a história que se quer contar. Dentro do estilo de fotografia que eu gosto, o foto-jornalismo, o story-telling é a meu ver uma das características mais importantes para a qualidade do trabalho final. 

Depois também há quem dê importância à forma como as fotografias são entregues, por exemplo em álbum, impressões fine-art, grande formato, até mesmo polaroids, entre tantas outras. Pessoalmente, gosto muito de impressões fine-art e uma das razões para eu ter o meu estúdio é precisamente a de poder dedicar-me à impressão de fotografias, porque acredito que isso contribui muito para uma melhor experiência dos meus casais!

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A personalidade e a vivência do dia

Mas a reportagem fotográfica no dia do casamento não se limita ao resultado final das fotografias que são entregues! Também é muito importante que o casal se dê bem com o fotógrafo, porque é provavelmente a pessoa que vai passar mais tempo com os noivos ao longo do dia.

Há quem acredite em amor à primeira vista, no yin e yang, na outra metade da laranja, no destino. Eu acredito que há um fotógrafo ideal para cada casal!

Não sou assim tão sonhador… Não acho que exista apenas um fotógrafo para cada casal, certamente haverão vários com o estilo de que gostamos e com os quais no daremos bem, mas dentro desses há aquele com quem estamos mais à vontade e adoramos o trabalho – é esse mesmo o fotógrafo com quem iremos estar mais à vontade ao longo do dia, com quem nos abrimos como a amigo e permitimos que veja partes de nós que de tão íntimas são tão reais. O resultado das fotografias no final fará toda a diferença!

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O investimento

Claro que o valor que cada fotógrafo cobra é relevante! Se o meu fotógrafo ideal cobra um valor muito acima daquele que estou disposto a investir, provavelmente vou ter que optar por outro mais barato. Mas não queria deixar de fazer umas últimas contas, prometo que desta vez sem tabelas de Excel!

O investimento total para um casamento pode ir do grandinho ao astronómico, mas raramente ou nunca é “pequeno”. Entre os vários milhares de euros que investimos, o fotógrafo representa uma percentagem pequena, mas necessária! Qual a diferença de valor entre aquele fotógrafo que eu “gosto” e o outro que eu “adoro”? Um talvez seja 600€ mais caro que o outro, mas esses 600€ correspondem a que percentagem do total do casamento? 2%? 0.5%? É por essa razão que vou poupar na experiência do meu casamento e nas memórias que vou ter para o futuro? Porque no final do dia é este o património visual que vamos deixar para as gerações vindouras! O que eu não dava para ter uma boa reportagem do casamento dos meus pais, ou sequer fotografias dos casamentos dos meus avós!

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Últimas palavras

Para os casais

Quem teve paciência para ler tudo até aqui terá certamente paciência para escolher um fotógrafo de que goste 🙂

O que tenho a recomendar é simples: comecem por ver o que se faz hoje em dia dentro da fotografia de casamento! Há sempre tendências novas, estilos novos e fotógrafos novos com muito talento a aparecer. Façam bem a pesquisa, seja pelo Google, Instagram, Facebook e qualquer outra plataforma que achem interessante. Vejam muitos estilos diferentes e decidam entre vocês os dois aquele com que mais se identificam. Depois procurem fotógrafos dentro desse estilo. No Instagram talvez seja mais fácil encontrar esse estilo com base nos #hashtags. Depois contactem os que mais gostaram e vejam se têm “química”. Com base no estilo, química e valor do investimento decidam qual o vosso fotógrafo ideal!

E por favor não escolham um fotógrafo apenas com base no seu portefólio! O que vão contratar é uma reportagem de casamento, não um ou outra fotografia bonita! Peçam para ver reportagens completas ou pelo menos um resumo da reportagem. Se o fotógrafo tiver um blog com pelo menos 40 fotografias de cada casamento já dá para ter uma ideia!

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Para os fotógrafos

Se és fotógrafo, és meu colega! Não te vejo como concorrente.

Há uns anos atrás tive uma conversa interessante com um fotógrafo amador que estava a terminar o curso de engenharia e tinha interesse em fotografia. Estávamos a falar acerca das diferenças entre as duas áreas e que eu não via os outros fotógrafos como concorrentes. Ele não percebeu a minha visão, achou que os outros fotógrafos eram concorrentes e deviam ser tratados dessa forma, por isso eu expliquei: “quando estiveres a trabalhar num gabinete de engenharia, vais ver os teus colegas engenheiros como concorrentes?” “Claro que não!”, disse ele. Respondi: “ora se a economia for abaixo tu, que foste dos últimos a entrar na empresa, vais ser o primeiro a ser despedido! Os teus colegas vão ser teus concorrentes pelos lugares que ainda estão disponíveis na empresa! O que interessa é a lei da oferta e da procura: em épocas de abundância há mais procura que oferta, logo os valores sobem e todos estão felizes, em altura de crise é o oposto. A diferença é que quando as pessoas têm negócio próprio não vão para a rua, têm antes que baixar os seus valores. É quase como se se distribuísse o mal pelas aldeias. Parece-me que essa concorrência não é tão má quanto a de uma empresa em que alguns ficam sem nada e os outros têm que trabalhar horas extra para ganhar o mesmo que antes, ou menos”.

Somos colegas e se nos ajudarmos mutuamente estou certo que a nossa área será melhor! Se eu te puder ajudar em alguma coisa, por favor entra em contacto!

Para os meus colegas fotógrafos queria também abordar a temática de “especializar vs diversificar por uma questão de segurança” mas isso terá de ficar para outro post, porque este já vai muito grande.

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Se gostaram deste tipo de post por favor deixem um comentário para eu continuar a criar conteúdo que possa ser relevante para vocês!

Comentários

[…] Fiz um post acerca dos valores dos fotógrafos de casamento. Nele analiso a fotografia de casamento em 2020, os gastos associados e a importância de um fotógrafo profissional. Aqui está: “Porque é que os fotógrafos de casamento são tão caros” […]

Enquanto colega de sector gosto muito deste tipo de conteúdo. Já li posts destes no passado mas que decididamente não abordavam tão bem o tema, centrando-se exclusivamente na premissa de que se paga o que se paga por casamentos serem uma “responsabilidade muito grande” e porque são memórias que se estão a registar.
Eu acho que explicar os números crus é efectivamente importante, principalmente naquilo que são despesas invisíveis mas obrigatórias, como o pagamento de impostos e seguros – algo que alguém empregado por conta de outrem facilmente esquece.

Enquanto profissional, gostaria muito que os clientes de todo o tipo de freelancers e pequenos empresários (centro e fora do sector de casamentos) lessem este tipo de posts com frequência e levassem o conteúdo a peito.
Excelente trabalho!

Cândida, muito obrigado pelas suas palavras! É importante para mim saber que o conteúdo que escrevi é útil!

Lourenço, muito interessante o texto, ainda para mais uma financista como eu que adora um excel… tinha curiosidade em saber como um profissional autônomo (e artista, acima de tudo) calcula seus gastos e determina seus preços. E escolha do fotógrafo (você!) para meu casamento em maio/2018 foi certeira. O resultado das fotos nos emociona, e o investimento tem retorno garantido. Fica para o resto da vida. Além da criação de laços com nosso fotógrafo (ouso dizer eternos, por que não?), que fotografou sessão antes e depois, e em breve torço para fotografar nossa baby/familia (se ele aceitar). A quem vai casar, meu conselho: invistam em um fotógrafo com quem se identifiquem em estilo, e química (sim, ela existe aqui também!). É dos investimentos mais relevantes no casamento. (Ufa, depoimento longo, assim como o texto rsrsrs). Abraços, Luciana

Luciana!!! Muito obrigado pelo comentário 🙂
Tem sido um prazer fotografar-vos ao longo do tempo e espero ansiosamente por conhecer a Júlia e continuar a acompanhar a vossa família linda! Abraços a ti e Vítor!

Olá João. O artigo está interessante. Chegamos a reunir contigo em 2014 para o nosso casamento. Escolhemos um colega teu pata fotografar.. tinha fotografias espetaculares no site, já ganhou vários prémios.. pagamos-lhe bem, mais a ele do que nos apresentas-te aquela data.. A minha experiência em 2015 não foi o que esperava… percebi depois que as melhores fotografias que o nosso fotografo fazia eram nas sessões depois do casamento.. as fotografias do dia do casamento deixaram muito a desejar e não correspondeu de todo ao que tinhamos visto dos trabalhos anteriores.
Concordo plenamente contigo. Quem tem por profissão fotografo de casamento tem de cobrar o valor justo (e tanto que acabamos por contratar em 2015 o fotografo que nos apresentou a proposta mais cara), mas, no nosso não correu 100% bem.
Aconselho a quem vá casar que veja trabalhos dos fotografos que contratam apenas o dia de casamento e trabalhos em que fazem a sessão depois do casamento.
Muita sorte e saúde.
Joana

Obrigado Joana! Tens razão, é importante ver o trabalho final! Por uma grande coincidência antes de ler o teu comentário estive a ler o que tinha escrito e reparei que faltava essa parte, adicionei-a e depois li o que escreveste! Mas o teu comentário também me faz querer fazer um outro post acerca de portfolio vs trabalho contratado!
Obrigado!

Obrigado Marco! Um grande abraço!!!

Catarina Santos

Olá
Ainda não casei, a minha experiência com fotógrafos é apenas do baptizados dos meus filhos cobrou cerca de 350 euros e apesar dos pequenos não terem ajudado muito.
Ficou um excelente trabalho.
Adorei o artigo.
Vou seguir o seu trabalho e quem sabe nos veremos um dia num casamento.

Catarina, muito obrigado pelo comentário! Fico feliz por achar o artigo interessante. Espero continuar a publicar artigos do mesmo tempo, intercalados com outros onde mostro um pouco mais do meu trabalho 🙂

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